Ele deu uma missão a dois
Um estudo sobre a mulher valorosa, o homem valoroso e a missão que Deus confiou aos dois.
Começar a leituraQuantas vezes você já ouviu que o homem é o provedor e a mulher é quem cuida da casa e dos filhos? Talvez tenha ouvido na igreja, talvez em casa, talvez apenas tenha visto acontecer, sem que ninguém precisasse dizer nada. Para muitas de nós, essa frase chegou com cara de versículo bíblico.
Eu sempre falei muito sobre a mulher de valor. Mas preciso confessar uma coisa: eu também busquei um homem de valor. Alguém que soubesse quem era, que soubesse em quem acreditava, e para quem Deus fosse mais importante do que qualquer outra coisa. Eu já tinha me encontrado com Deus, e sabia que, quando nos encontramos com Ele, passamos a amar o outro de um jeito intenso, do jeito que Ele nos ama. Isso seria segurança para mim.
E Deus me deu a graça de encontrar o Caio. Um homem que me complementa, e a quem eu complemento. Em mais de vinte e cinco anos, nunca nos vimos como superior ou inferior um ao outro.
No primeiro estudo deste blog, descobrimos que ezer kenegdo não descreve uma mulher frágil ou secundária, mas uma força correspondente, um socorro face a face.
No segundo, vimos que não existe uma única maneira de uma mulher viver seu propósito. Agora quero conversar sobre uma pergunta que atravessa muitos lares, inclusive o meu:
Deus determinou que o homem provê e a mulher cuida? Ou Ele deu aos dois uma missão compartilhada?
Para responder com honestidade, vamos precisar separar três coisas que costumam chegar misturadas: o que Deus desenhou no princípio, o que a queda feriu, e o que a história e a cultura acrescentaram depois.
A Bíblia começa com uma missão, e não com uma divisão de tarefas.
"Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou e lhes disse: 'Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra'."
Repare em um detalhe que o hebraico deixa muito claro: todos esses verbos estão no plural. Ser fértil, multiplicar, encher a terra, cultivá-la e governá-la. Deus não disse a Adão "domine" e a Eva "gere filhos". Ele disse aos dois: "vocês".
Gerar a vida e cuidar da criação não aparecem como dois departamentos, um masculino e outro feminino. Aparecem como uma única missão, entregue a duas pessoas que carregam juntas a imagem de Deus.
Eu fico pensando em quantas conversas de casal mudariam se começassem por aqui. Antes de perguntar "quem faz o quê?", a pergunta de Gênesis é outra: "qual é a nossa missão?".
No Éden, Deus não dividiu tarefas; Ele deu uma missão a dois.
Gênesis 2 conta a mesma criação com uma lente mais próxima. Deus forma o homem do pó da terra, coloca-o no jardim, e então faz uma declaração surpreendente:
"Então o Senhor Deus declarou: 'Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda'."
Em tudo o que Deus havia criado até ali, o refrão era "e Deus viu que era bom". Esta é a primeira vez que algo "não é bom". O homem sozinho não completa a missão.
A expressão hebraica que estudamos no primeiro artigo é ezer kenegdo. Ezer é uma palavra usada na maioria das vezes para o próprio Deus, como socorro do seu povo ("O meu socorro vem do Senhor", Salmo 121:2). Kenegdo significa "como diante dele", alguém à altura, face a face. Nem acima, nem abaixo.
E logo depois vem um verso que costuma passar despercebido:
"Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne."
Naquele mundo antigo, era a mulher quem deixava a casa do pai para ir viver com a família do marido. O texto inverte a direção: é o homem quem deixa. E o verbo "unir-se" é o mesmo usado para a lealdade de uma aliança. O desenho do Éden é aliança, não hierarquia de funções.
Existe uma ideia comum de que o trabalho é um castigo, consequência do pecado. Mas olha o que o texto diz, ainda antes da queda:
"O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo."
Os dois verbos hebraicos aqui são avad (cultivar, servir) e shamar (guardar, cuidar). Curiosamente, são os mesmos verbos usados mais tarde para descrever o serviço dos levitas no tabernáculo (Números 3:7-8). O jardim era um lugar de adoração, e trabalhar nele era parte do culto.
Isso muda muito para mim. O trabalho não nasceu do pecado. Ele faz parte do projeto. E se a missão de Gênesis 1 foi dada aos dois, o trabalho de cultivar e cuidar também pertence aos dois.
Então chegamos a Gênesis 3, o capítulo da ruptura. Depois do pecado, Deus anuncia as consequências:
"À mulher, ele declarou: 'Multiplicarei grandemente o seu sofrimento na gravidez; com sofrimento você dará à luz filhos. Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará'. E ao homem declarou: '[...] maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida'."
Citação condensada: trechos omitidos estão sinalizados com […].
Leia de novo e repare na palavra que se repete: sofrimento. No hebraico é a mesma raiz, itsavon, para os dois. A mulher sofre no gerar; o homem sofre no cultivar. As duas partes da missão de Gênesis 1, gerar a vida e cuidar da terra, passam a carregar dor.
O texto não está criando uma divisão de reinos ("a ela os filhos, a ele o sustento"). Está mostrando que a missão inteira ficou ferida. E a arqueóloga Carol Meyers lembra que, numa sociedade agrícola como o antigo Israel, a mulher também trabalhava duramente no campo. Ela gerava e cultivava, as duas coisas com esforço.
E há a frase mais delicada: "Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará". A palavra traduzida como desejo, teshuqah, aparece só três vezes no Antigo Testamento. Uma delas está logo no capítulo seguinte, quando Deus fala a Caim sobre o pecado: "ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo" (Gênesis 4:7). A construção é a mesma. Por isso muitos estudiosos entendem que Gênesis 3:16 descreve o início de uma disputa de poder entre homem e mulher, algo que não existia antes.
Aqui está um ponto que me trouxe muita liberdade: o domínio do homem sobre a mulher aparece pela primeira vez na Bíblia depois do pecado, como consequência, e não em Gênesis 1 e 2, como projeto.
E isso é uma descrição, não um mandamento. É como a dor do parto e os espinhos da terra. Ninguém acha que desobedece a Deus quando usa anestesia num parto ou tira as ervas daninhas da horta. Quando Jesus foi questionado sobre o casamento, Ele mesmo apontou para trás da queda: "não foi assim desde o princípio" (Mateus 19:8). O princípio é a referência.
A queda não criou o trabalho; ela o tornou pesado. E não criou a diferença entre homem e mulher; ela feriu a relação entre os dois.
Faço questão de deixar isso claro: Gênesis 1:27 celebra a diferença, "homem e mulher os criou". O problema não está em sermos diferentes. Está no que o pecado fez com a forma como nos relacionamos.
Se a Bíblia não determina que o homem provê e a mulher cuida, de onde veio essa ideia tão forte? A história ajuda a responder.
No antigo Israel, a casa era o lugar de produção. A família vivia da terra e dos animais, e todo mundo trabalhava. As mulheres moíam grãos, teciam, cuidavam de hortas e rebanhos, administravam o que a casa produzia e ensinavam os filhos. Não existia "sair para trabalhar": o trabalho estava dentro de casa, e era feito por homens e mulheres juntos.
Preciso ser honesta aqui: isso não significa que existia igualdade plena. A herança da terra passava pelos homens, e a mulher dependia juridicamente do pai ou do marido. É justamente por isso que a Bíblia insiste tanto em proteger a viúva e o órfão. A Lei protege a mulher vulnerável; ela não celebra essa vulnerabilidade como ideal.
No mundo greco-romano, na época do Novo Testamento, filósofos como Aristóteles ensinavam que o homem pertencia à esfera pública e a mulher à esfera da casa. A ideia de "esferas separadas" é grega antes de ser cristã.
Com a Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, o trabalho saiu de dentro de casa e foi para a fábrica e o escritório. O pai passou a receber salário fora, e a mãe ficou com o lar. Isso virou ideal moral, e mais tarde, no século XX, virou símbolo da "família cristã".
Ou seja: muito do que chamamos de "modelo bíblico" tem mais de fábrica do que de Éden.
E o Brasil de hoje? Segundo o Censo 2022 do IBGE, 49,1% dos lares brasileiros têm uma mulher como responsável. Em 2010, eram 38,7%. Um ensino que mede o valor de um homem por "ser o provedor" pode gerar culpa na mulher que sustenta a casa e vergonha no homem que, por uma fase, não consegue. Sem que a Bíblia tenha pedido isso.
Se existe um texto que costuma ser usado para definir "o papel da mulher", é Provérbios 31. E é exatamente aí que a Bíblia nos surpreende.
"Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas joias."
"Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis."
A NVI e a ARA são traduções diferentes da Bíblia em português. Às vezes usam palavras distintas para transmitir a mesma ideia do original, e isso nos ajuda a perceber nuances. Aqui, nenhuma das duas consegue carregar todo o peso da palavra hebraica chayil. Chayil significa força, valor, capacidade. É a palavra usada para guerreiros valentes, para exércitos e até para riqueza. "Mulher valorosa" ou "mulher de força" talvez seja a tradução mais fiel.
E o que essa mulher faz?
Ela compra terra, investe, vende, administra e alimenta a casa. O texto que encerra o livro da sabedoria descreve uma mulher que provê. E o marido? Ele confia nela (v. 11) e a elogia: "Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera" (v. 29).
Eu sempre vi a mulher de Provérbios 31 como uma mulher real, possível de ser vivida. E acredito que ela é. Mas precisamos entender como o texto foi escrito: é um poema acróstico, em que cada verso começa com uma letra do alfabeto hebraico, de A a Z. É um retrato completo das virtudes de uma mulher sábia, não uma lista de tarefas para cumprir antes do café da manhã. Na tradição judaica, esse poema é cantado pelo marido para a esposa na mesa do Shabat. É uma bênção, não uma cobrança. E o centro dele não é a produtividade: "a mulher que teme o Senhor será elogiada" (v. 30).
Agora, a descoberta que mais me emocionou neste estudo.
A mesma palavra chayil aparece no livro de Rute. Boaz diz a Rute: "todos os meus concidadãos sabem que você é mulher virtuosa", uma eshet chayil (Rute 3:11). Rute, uma estrangeira, viúva, que trabalhava no campo para sustentar a sogra.
Mas o livro já tinha usado a palavra antes. Quando Boaz é apresentado, o texto o chama de ish gibbor chayil, que a NVI traduz como "homem rico e influente" e a ARA como "homem poderoso e rico" (Rute 2:1). O mesmo valor. A mesma força.
Rute e Boaz são o casal em que homem e mulher recebem o mesmo título.
Quando li isso, pensei na minha própria história. Eu busquei um homem de valor. E percebi que a Bíblia não reserva o valor para um dos lados. Os dois são chamados a ser chayil.
A mesma palavra que descreve a mulher valorosa descreve Boaz. Valor não tem gênero; tem caráter.
O Novo Testamento continua esse fio. Lucas registra um detalhe que muitas vezes passamos rápido demais:
"Os Doze estavam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e doenças: Maria, chamada Madalena; Joana, mulher de Cuza, administrador da casa de Herodes; Susana e muitas outras. Essas mulheres ajudavam a sustentá-los com os seus bens."
Citação condensada: trechos omitidos estão sinalizados com […].
O ministério de Jesus foi sustentado, em parte, por mulheres. O próprio Filho de Deus aceitou ser provido por elas.
E elas não foram as únicas. Lídia, vendedora de tecidos de púrpura, abriu sua casa e ali nasceu a primeira igreja da Europa (Atos 16:14-15, 40). Priscila trabalhava com Áquila fabricando tendas e, juntos, ensinaram o caminho de Deus a Apolo (Atos 18:2-3, 26). Febe é chamada por Paulo de serva da igreja e de alguém que "tem sido de grande auxílio para muita gente", inclusive para ele (Romanos 16:1-2).
A Bíblia nunca repreende uma mulher por trabalhar, administrar bens ou sustentar a casa.
E o versículo mais citado para dizer que "o homem deve prover"? É 1 Timóteo 5:8: "Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente". Mas o contexto é o cuidado das viúvas pela família. No grego, o sujeito é "alguém", e poucos versos depois Paulo aplica o mesmo dever a uma mulher: "Se alguma mulher crente tem viúvas em sua família, deve ajudá-las" (1 Timóteo 5:16). O texto fala de responsabilidade familiar, e não de um papel exclusivo do homem.
Eu sempre trabalhei. Quis construir uma carreira, porque queria, e quero, realizar muitos sonhos. Alguns já realizei; outros, sei que ainda virão. E o mais bonito dessa história é que encontrei alguém que pensa assim. Descobrimos cedo que construir juntos torna a jornada muito mais leve do que caminhar sozinho.
Houve tempos de recolhimento, como na maternidade do Filipe. E mesmo ali o Caio sempre esteve presente. De madrugada, quando o nosso pequeno queria mamar, só eu podia fazer aquilo. Ele levantava junto e dizia: "me chama que eu troco as fraldas". E assim íamos, um ajudando o outro.
Eu dava de mamar.
Ele trocava a fralda.
Nenhum dos dois estava cumprindo um papel. Os dois estavam cumprindo uma missão.
O curioso é que eu não me lembro daquelas noites como um peso. Havia prazer, e não peso, nisso. Tudo ficava mais leve.
Anos depois, o Caio passou por uma transição de trabalho e ficou um tempo sem um trabalho fixo. Isso não o impediu de ser pai. Ele se dedicou a ficar mais perto do Filipe, a levá-lo à natação, a estar com ele. E isso não fez dele menos homem. Depois ele foi fazer um MBA, e eu fiquei com o nosso filho. Depois chegou a minha vez, e ele ficou. Sempre nos apoiamos, com alegria de ver o que o outro estava realizando.
Talvez você pergunte: e Efésios 5? É um texto importante, e quero tratá-lo com respeito. Ele começa assim: "Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo" (Efésios 5:21). É a partir dessa submissão mútua que Paulo fala às esposas e aos maridos. E ao marido ele pede algo enorme: amar "assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela" (v. 25). Logo depois, explica que ninguém odeia o próprio corpo, "antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja" (v. 29).
O verbo grego traduzido como "cuida" (thalpō) traz a imagem de aquecer, de acolher no calor. Paulo usa a mesma palavra em 1 Tessalonicenses 2:7 para descrever a mãe que cuida dos filhos. Ao marido, a Bíblia pede um cuidado com linguagem de colo.
O cuidado também é chamado masculino.
Prover não é um papel fixo por gênero. É o que cada um faz pelo outro conforme a estação da vida.
Depois veio o sonho de termos mais filhos, e decidimos seguir pelo caminho da adoção. Já éramos mais velhos, o Filipe já era adolescente, e chegaram duas pequenas, a Monica e a Ana Beatriz, com histórias e vivências diferentes. Tivemos o privilégio de sermos escolhidos para sermos seus pais.
A história delas pertence a elas. Um dia, se assim desejarem, elas mesmas vão compartilhar. Até porque nenhuma história de crianças que chegam pela adoção é um conto de fadas.
O que posso contar é a nossa parte: essa história nos virou do avesso. Vimos, dentro da nossa casa, o poder que o ambiente e o amor têm de transformar vidas. Hoje o Filipe estuda Engenharia Mecatrônica na Austrália, e a Monica, com 9 anos, e a Ana Beatriz, com 8, enchem a nossa casa de vida.
Mas não foi uma história apenas romântica. Teve desafios enormes. Houve momentos em que achamos que não íamos conseguir. E, parando para pensar, percebo uma coisa que me marcou muito: os momentos em que achamos que não íamos conseguir nasceram exatamente de quando não andamos tão juntos.
A Bíblia descreve isso de forma tão simples:
"É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. [...] Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade."
Citação condensada: trechos omitidos estão sinalizados com […].
Dois são melhores do que um. Mas o cordão que não se rompe tem três fios.
Quando cheguei à perimenopausa, minha vida virou de cabeça para baixo. A mulher potente que eu conhecia parecia quebrada, parando de funcionar. Sono, energia, memória, emoções. Coisas que eu dominava pareciam fugir das minhas mãos.
E, de novo, eu pude e posso contar com o Caio. Ele torce por mim. Busca coisas que possam me ajudar. Apoiou a minha decisão de mudar de carreira, e hoje tenho a minha consultoria e atuo em conselhos. Ele acredita em mim, muitas vezes, mais do que eu mesma.
Essa fase me ensinou algo sobre o ezer que eu não tinha entendido antes. Quem foi criada para socorrer também precisa ser socorrida. O socorro do Éden corre nos dois sentidos. Nas estações em que a mulher está mais vulnerável, o marido é chamado a ser ezer para ela.
Pedro escreveu algo muito bonito sobre isso:
"Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e co-herdeiras do dom da graça da vida."
A fragilidade aqui não é motivo de diminuição. É motivo de honra. E os dois são co-herdeiros: ninguém herda mais do que o outro.
Também preciso dizer com clareza: o que o corpo vive nessas fases não é fraqueza espiritual. Gestação, puerpério, doença, perimenopausa, menopausa pedem cuidado médico, acompanhamento e ajustes reais na rotina da casa, não culpa. A fé não substitui esse cuidado; ela nos sustenta enquanto cuidamos.
E a Bíblia é honesta sobre isso. Paulo diz que "toda a natureza criada geme até agora", e que nós mesmos gememos, "esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo" (Romanos 8:22-23). Confesso que me emocionei ao ler a palavra adoção nesse texto. A redenção do corpo ainda está por vir. Por enquanto, o poder de Deus "se aperfeiçoa na fraqueza" (2 Coríntios 12:9).
Durante muito tempo, eu pensei na redenção como uma volta ao Éden, ao momento antes da queda. Mas a Bíblia aponta para algo ainda maior. Ela começa num jardim e termina numa cidade-jardim, com o rio da vida e a árvore cujas folhas servem "para a cura das nações" (Apocalipse 22:2).
Em Cristo, essa nova criação já começou: "se alguém está em Cristo, é nova criação" (2 Coríntios 5:17). E Paulo afirma que, nele, "não há [...] homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:28). No grego, ele usa exatamente as palavras da versão grega de Gênesis 1:27, "macho e fêmea". É um eco proposital da criação: em Cristo, a disputa que a queda trouxe perde o poder de definir o valor de alguém diante de Deus.
Vivemos o "já e ainda não". Já fomos reconciliados com Deus. Ainda não temos o corpo redimido nem relações perfeitas. Mas podemos viver, desde já, como um pequeno sinal do que está por vir.
Na prática, como recuperar algo do que foi perdido no Éden?
Eu e o Caio temos falhas e defeitos. Não encontrei um casamento perfeito. Encontrei uma parceria que se parece mais com o Éden do que com a queda: dois que se socorrem, que trocam de lugar quando a estação pede, e que sabem que um terceiro sustenta os dois.
Hoje eu tenho a minha consultoria e atuo em conselhos. O Caio é empreendedor e cuida das suas empresas. O Filipe está do outro lado do mundo, e as meninas crescem em casa. Mas isso é o que somos hoje. O amanhã está nas mãos de Deus. Vamos realizar sonhos até o último dia aqui, e a eternidade será uma aventura incrível.
Uma coisa eu sei:
quando estamos juntos, nada pode nos deter. Porque, além de nós, Deus sempre esteve e estará conosco.
O caminho de volta ao Éden não é para trás. É para frente, com Cristo, rumo à nova criação.
Separe alguns minutos, se possível com um caderno por perto, e responda com sinceridade diante de Deus. Se for casada, que tal conversar sobre elas a dois?
Senhor, obrigada porque, no princípio, não nos criaste para disputar, mas para caminhar juntos. Cura em mim as crenças que nasceram da queda e não do teu coração. Livra-me da culpa que não vem de Ti e da vergonha que Tu não colocaste.
Ensina-me a socorrer e a ser socorrida, a prover e a ser cuidada, conforme a estação que estou vivendo. Onde o meu corpo geme, sê a minha força. Onde andamos separados, aproxima-nos de novo.
Que a minha casa, a minha vida e as minhas relações sejam um pequeno sinal da nova criação que já começou em Cristo. E que, além de nós, sejas sempre o terceiro fio que nos sustenta. Amém.
As citações bíblicas seguem a Nova Versão Internacional (NVI) e a Almeida Revista e Atualizada (ARA). Dado sobre domicílios: IBGE, Censo Demográfico 2022. Imagens geradas por IA são representações artísticas.
Este conteúdo é uma introdução ao estudo completo No Éden, Deus não dividiu tarefas. No material aprofundado, você vai encontrar as palavras hebraicas e gregas explicadas, o contexto histórico de cada texto, Provérbios 31 verso a verso, exercícios pessoais e para o casal, perguntas para grupos e uma jornada prática para viver a missão a dois na fase em que você está.
Preencha seus dados para receber o material completo de "No Éden, Deus não dividiu tarefas: Ele deu uma missão a dois".
Seus dados serão usados apenas para enviar este estudo e comunicações relacionadas aos conteúdos da Priscila Abondanza.
Ao enviar este formulário, você concorda com o uso dos seus dados para receber este estudo e comunicações relacionadas. Seus dados não serão vendidos ou compartilhados.
Ainda não leu o primeiro estudo? Ezer Kenegdo, o socorro de Deus